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O que a psicanálise me ensinou na clínica: reflexões de um psicanalista

  • Foto do escritor: Mateus Dengo
    Mateus Dengo
  • 19 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 28 de ago. de 2025

duas pessoas em uma sessão de terapia

Desde a minha graduação em psicologia até o começo da minha atuação profissional como psicólogo, posso afirmar que muitas coisas me surpreenderam. A psicanálise na prática inclui inúmeras questões intangíveis, que passam despercebidas pela técnica e pela teoria. A imprevisibilidade do resultado das intervenções é impressionante, afinal nunca se sabe qual o resultado da sessão para aquele paciente. Além disso, a possibilidade de oferecer um espaço de acolhimento onde o analisando pode contar a sua história já pode ser transformador. Ainda assim, talvez a lição mais importante que adquiri na minha caminhada é que não há como esconder quem você é na sessão, e isso se reflete para os dois lados.

Quando uma sessão de psicanálise começa, uma relação íntima entra em cena, a de analista-analisando. Essa intimidade assume uma posição interessante, afinal ambos os lados não se conhecem no começo do processo. Entender como é a história de vida de um analisando exige uma construção com o tempo, por esse motivo a psicanálise assume a posição de uma terapia de longo prazo. Afinal, para resolver questões profundas, necessita-se de uma mesma profundidade na história de vida do paciente, e compreender essa história vai te levar a caminhos sempre surpreendentes. Tão surpreendente quanto isso, é o fato da presença de um psicanalista na vida de seu analisando participar dessa mesma história. O terapeuta não está à margem do cotidiano de seu paciente, ao contrário, ele é um personagem que participa dessa narrativa.

um homem olhando o horizonte

É aí que percebi outra lição importante e implícita do processo terapêutico: há um poder maior do que se imagina em contar sua própria história. Viver a vida e todos seus acontecimentos sem poder observar de fora e expressar como se sentiu nos episódios mais importantes é angustiante. A partir disso o testemunho se torna um lugar empoderador se encontrado com o acolhimento necessário. Falar sobre o seu dia, ou algo que aconteceu na sua vida a anos atrás ou até mesmo sobre seus planos futuros é extremamente importante para se conectar consigo mesmo. Por isso, talvez o acolhimento seja um dos grandes pilares implícitos da psicanálise clínica.

A partir do acolhimento, aprendi que como psicanalista não há como não se conectar com a história que está sendo contada a você durante a sessão. É impossível fugir dos sentimentos que elas evocam, e isso serve tanto ao analista quanto ao analisando. Ambos revelam o que é importante para cada um dentro do processo, e isso faz com que a relação entre eles esteja longe de uma relação fria ou distante, como alguns livros antigos e ultrapassados podem sugerir. O vínculo terapêutico criado nas sessões é estreito, e se constituí pela confiança e respeito aos limites estipulados entre os dois.

Com isso, posso concluir que ser psicanalista é um percurso por vezes desafiador, mas sempre fascinante. Não é fácil trabalhar de maneira tão próxima a angústias tão profundas, mas sinto orgulho de saber que meu dia-a-dia transforma a vida daqueles que escolhem entrar nesse fantástico processo chamado análise.

Deseja entrar nesse processo e ver suas transformações que ele ocasiona? Me chame para conversarmos. 


 
 
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